COMO É O PÓS-OPERATÓRIO DO LIGAMENTO CRUZADO DO JOELHO

O ideal é que a fisioterapia se inicie o mais precocemente possível.

Em termos gerais, divido da seguinte forma:


15 primeiros dias: Período de “agressão” inicial. Paciente se locomove por auxilio de muletas e realiza recursos regenerativos diários da fisioterapia. Pessoalmente, sou contra imobilizar o joelho neste período, pois pode ocorrer agravo da atrofia muscular e o joelho pode ficar muito duro, com dificuldade do ganho inicial de flexão.


15º dia ao 4º mês: Finalização do ganho de flexão do joelho e um trabalho de coordenação motora, equilíbrio, propriocepção e fortalecimento inicial sob a supervisão de um fisioterapeuta experiente.


4º ao 6º mês: Fortalecimento avançado. Exercícios devem ser prescritos entre o cirurgião, fisioterapeuta e o educador físico. No final do período, realiza-se um teste isocinético.


6º ao 9º mês: Transição e retorno ao esporte: são empregados testes funcionais e o paciente vai, gradativamente, voltando ao esporte.



Como acontecem as lesões do Ligamento Cruzado Anterior?

A lesão do Ligamento Cruzado Anterior acontece durante movimentos torcionais, ou seja, quando o pé fica preso ao solo e o corpo gira sobre o joelho.


Esportes que envolvem contato físico com outros atletas e mudanças frequentes de direção estão sempre colocando o ligamento em risco.


Isso acontece porque, nestes esportes, o atleta está constantemente perdendo e recuperando o equilíbrio. Algumas condições como fraqueza e desequilíbrio muscular, padrão de movimento ruim e fadiga excessiva limitam a capacidade de recuperar o equilíbrio e deixam o atleta mais vulnerável a movimentos torcionais do joelho.


Outro fator determinante para as lesões é a aderência entre o calçado esportivo e o solo, pois, quando há aderência excessiva, o pé tende a ficar preso ao chão e o movimento torcional é transferido para o joelho.


Por isso, indivíduos que já tiveram uma lesão ligamentar prévia no joelho estão especialmente vulneráveis a esta lesão, assim como as mulheres.


Abaixo, detalhamos os principais fatores de risco modificáveis relacionados à lesão do Ligamento Cruzado Anterior.


Prevenção da lesão do Ligamento Cruzado Anterior

Existem diversos programas e protocolos com eficácia comprovada para a prevenção da lesão do Ligamento Cruzado Anterior e o mais conhecido deles é o FIFA 11+. Desenvolvido para evitar a ocorrência de diversas lesões comuns no futebol, este programa tem foco considerável no LCA e estudos mostram que pode reduzir sua ocorrência em até 50%.


Estes programas são voltados para corrigir fraquezas e desequilíbrios musculares e de padrões de movimento que favorecem a ocorrência da lesão do Ligamento Cruzado Anterior.


A justificativa do FIFA 11+ é que o futebol envolve padrões de movimento e de sobrecarga comuns, que fazem com que muitas das deficiências sigam um padrão que se repete entre os atletas da modalidade. Portanto, os exercícios do FIFA 11+ buscam compensar estas deficiências.


A vantagem do programa desenvolvido pela FIFA é que ele é fácil de ser aplicado e não depende do acompanhamento de profissionais especializados ou de uma avaliação prévia do atleta, o que limitaria sua aplicabilidade em larga escala.


Porém, a eficácia dos programas de prevenção aumenta consideravelmente quando são desenvolvidos de forma individual e com base em uma avaliação prévia das necessidades de cada atleta. Testes de dinamometria manual ou isocinética e avaliação de certos padrões de movimento devem ser realizados para identificar essas necessidades.


Os clubes esportivos profissionais, principalmente no futebol, fazem isso de forma rotineira com seus atletas, mas programas semelhantes estão disponíveis para atletas recreativos em clínicas especializadas, independentemente do nível de competição.


O que o paciente sente após a lesão do Ligamento Cruzado Anterior?

No momento da lesão do ligamento do joelho, alguns pacientes se referem a um estalido audível, às vezes percebido como a sensação de uma corda se rompendo. Podem também citar a impressão de que o joelho “saiu do lugar e voltou”.


Em seguida, o joelho tende a inchar e ficar dolorido. Ainda assim, dor, inchaço e limitação funcional são bastante variáveis: alguns têm dor com o mínimo de movimento, enquanto outros (poucos) tentam continuar a atividade física por algum tempo.


Passados os primeiros dias ou semanas, o joelho fica menos inchado e menos dolorido, ao passo que a sensação de falseio e a falta de segurança aumentam. Eventuais lesões associadas, como edema ósseo, lesões no menisco ou lesões em outros ligamentos (principalmente o Ligamento Colateral Medial) podem fazer com que a dor demore ainda mais para melhorar.


Em relação à instabilidade, alguns pacientes sentem falta de segurança para caminhar dentro de casa e realizar outras atividades simples, enquanto outros são capazes de retornar a uma prática esportiva profissional mesmo com o ligamento rompido.


A tendência é que pacientes mais fortes tenham menos queixas de instabilidade, mas isso não é uma regra. Após poucos dias ou semanas, a atrofia da musculatura costuma ser visível.


Lesões associadas

Dois em cada três pacientes com lesão do LCA apresentam alguma outra lesão associada, incluindo as lesões nos meniscos, outros ligamentos do joelho, lesões da cartilagem articular, edema ósseo ou fraturas.


Estas lesões podem acontecer no mesmo trauma que ocasionou o rompimento do ligamento do joelho ou posteriormente, tanto pela sobrecarga e movimento anormal que acontece no local lesionado, quanto por novas entorses decorrentes da instabilidade persistente e da falta do ligamento.


Algumas são óbvias e facilmente diagnosticadas, enquanto outras exigem um alto grau de suspeição e podem passar despercebidas por um médico menos atento.


Em alguns casos, as lesões podem ser diagnosticadas clinicamente ou em exames de ressonância magnética, já outras podem ser vistas apenas durante o exame artroscópico, durante a cirurgia.


Além disso, deixar de diagnosticar e abordar algumas destas lesões é uma das principais causas de falha do tratamento cirúrgico do Ligamento Cruzado Anterior. As lesões associadas podem exigir modificações no protocolo de reabilitação e interferir no tempo de retorno esportivo e prognóstico da lesão.


Lesão do ligamento cruzado anterior associado à lesão do ligamento colateral medial

A combinação mais frequente de lesões multiligamentares no joelho envolve o rompimento do Ligamento Cruzado Anterior e Ligamento Colateral Medial, que têm comportamentos diferentes:

  • O Ligamento Colateral Medial é uma lesão com bom potencial de cicatrização, pois não é impedida pelo líquido articular. Isso acontece porque o ligamento está localizado fora da articulação do joelho e conta com um bom suprimento vascular.

  • O Ligamento Cruzado Anterior está localizado dentro da articulação, portanto, é pouco vascularizado e o líquido sinovial pode dificultar a cicatrização.

Tratamento

A maior parte das lesões isoladas do Ligamento Cruzado Anterior são de indicação cirúrgica.

Já as lesões do Ligamento Colateral Medial, em sua maioria, são de indicação não cirúrgica devido aos motivos citados acima.

Assim, nas lesões combinadas, a necessidade de reconstrução cirúrgica do Ligamento Cruzado Anterior é pouco contestada e o que muda é em relação ao Ligamento Colateral Medial que, em alguns casos, passa a ter indicação cirúrgica.


Os pacientes que são submetidos à reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior e continuam com uma instabilidade do colateral medial acabam por sobrecarregar o novo ligamento, levando a uma falha na cirurgia.

Nesses casos, o Ligamento Colateral Medial pode ser operado ou o paciente aguarda a recuperação para que, algum tempo depois, seja realizada a reconstrução isolada do Cruzado Anterior.


Em geral, as indicações de tratamento são:

Lesões grau I do Ligamento Colateral Medial associada à lesão completa do Ligamento Cruzado Anterior podem ser tratadas como uma lesão isolada do Ligamento Cruzado Anterior assim que a amplitude total de movimento for alcançada.


Nas lesões grau II do Ligamento Colateral Medial, o paciente deve fazer uso de uma órtese imobilizadora por 3 a 6 semanas, buscando a cicatrização do Ligamento Colateral Medial. Quando o movimento e a estabilidade medial do joelho estiverem recuperados, o Ligamento Cruzado Anterior é reconstruído.


As lesões Grau III do Ligamento Colateral Medial implicam em uma ruptura completa tanto da porção superficial quanto da porção profunda do ligamento, levando à incapacidade das estruturas mediais do joelho.


Nestas lesões, a ressonância magnética (RM) pode detectar a localização exata da ruptura do Ligamento Colateral Medial, o que implica no potencial de cicatrização do ligamento em dois casos:

Nas lesões da inserção distal (tibial), há uma ruptura da cápsula medial, de forma que o líquido sinovial persiste sob o ligamento e impede a cicatrização adequada do ligamento no osso. Essas lesões tendem a ser tratadas cirurgicamente.

Nas lesões da inserção proximal (femoral), a cápsula articular fica preservada e a lesão tem bom potencial de cicatrização. O tratamento é semelhante ao que foi descrito nas lesões Grau II, mas com tempo mais prolongado de imobilização até que o Ligamento Colateral Medial cicatrize.


Lesões do Canto Posterolateral

O canto posterolateral (CPL) é um conjunto de estruturas extra-articulares localizadas na parte de trás e externa do joelho e que têm a função de evitar a hiperextensão, a abertura lateral (varo) e a torção do joelho para fora. As principais estruturas desta região são o Ligamento Colateral Lateral, o tendão poplíteo e o popliteofibular.

Geralmente, estas estruturas são lesionadas após traumas de alta energia, como acidentes de trânsito, quedas de altura ou práticas esportivas.


Classificação das lesões do canto posterolateral

As lesões do canto posterolateral podem ser classificadas de acordo com a extensão da lesão e o grau da instabilidade:

grau I

– 0-5 mm de abertura lateral sob estresse em varo

– Instabilidade rotacional de 0° a 5°

grau II

– 6-10 mm de abertura lateral sob estresse em varo

– Instabilidade rotacional de 6° a 10°

grau III

– 10 mm de abertura lateral sob estresse em varo

– Instabilidade rotacional de 10°


Diagnóstico clínico

Os pacientes com lesões isoladas do canto posterolateral grau I ou grau II sentem dor moderada e variável capacidade de apoio do pé no chão. A área da lesão pode ficar inchada e roxa (edema e equimose).

Já as lesões grau III raramente acontecem de forma isolada, sem a associação de lesão do Ligamento Cruzado Anterior ou Ligamento Cruzado Posterior. Entre os sintomas, estão inchaço, dor e maior dificuldade de apoio do peso no pé.


A instabilidade é grosseira e pode ser facilmente detectada durante o exame físico realizado pelo ortopedista especialista em joelho, principalmente na fase crônica, uma vez que o edema e a dor inicial tenham passado. Ao caminhar, pode ser possível observar uma flambagem, que é a sensação de que o joelho vai ceder, com a abertura para o lado externo.


Em lesões de longa data, a instabilidade posterolateral do joelho pode colocar cargas excessivas no compartimento interno do joelho, o que, por sua vez, pode levar ao desenvolvimento de artrose no joelho e deformidades na articulação.


Diagnóstico por imagem

Na suspeita de lesão do canto posterolateral, as radiografias são muito importantes na fase aguda, já que, em alguns casos, ao invés do Ligamento Colateral Lateral se romper, ele pode arrancar um fragmento da cabeça da fíbula, onde o ligamento se fixa. Radiografias com estresse também são úteis para avaliar o grau de instabilidade e classificar a lesão.

Ainda que o diagnóstico possa ser fechado de forma segura com base no exame físico, a ressonância magnética será importante na avaliação de eventuais lesões associadas.


Tratamento das lesões do canto posterolateral

As lesões grau I e grau II isoladas podem ser adequadamente tratadas de forma não cirúrgica.

Já as lesões grau III quase sempre estão associadas a lesões do Ligamento Cruzado Anterior ou Ligamento Cruzado Posterior e necessitam de cirurgia para recuperar a estabilidade.

Existem diversas técnicas para o tratamento das lesões do canto posterolateral e algumas buscam a reconstrução isolada do Ligamento Colateral Lateral, enquanto outras são voltadas para a reconstrução das três principais estruturas do canto (Ligamento Colateral Lateral, ligamento popliteofibular, tendão poplíteo).


A escolha da técnica deve ser feita caso a caso com base nas informações do exame físico.

O tratamento envolve procedimentos tecnicamente exigentes e que até pouco eram considerados o “lado escuro do joelho”, devido ao alto índice de maus resultados.

Felizmente, o conhecimento da lesão, a evolução da técnica cirúrgica e da reabilitação pós-operatória evoluíram muito e, hoje em dia, a expectativa de resultado é bem maior.


Diagnóstico da lesão do Ligamento Cruzado Anterior

O diagnóstico deve ser considerado com base na história clínica discutida acima, exame físico realizado pelo médico e exames de imagem.

Exame físico – O exame físico do paciente com lesão do Ligamento Cruzado Anterior é bastante característico. Muitas vezes o médico é capaz de firmar o diagnóstico apenas examinando o joelho, principalmente na fase crônica, quando a dor e o inchaço inicial já tiverem melhorado. O exame, na fase aguda, pode ser limitado pela dor, inchaço e apreensão do paciente.


Radiografias – Ainda que o Ligamento Cruzado Anterior não seja visualizado na radiografia simples, o exame pode trazer informações importantes para o médico. Na fase aguda, este método auxilia no descarte de lesões ósseas, principalmente as fraturas. Já na fase crônica, ajuda na avaliação de eventual artrose, problema frequentemente associado a lesões ligamentares que tenham sido negligenciadas por tempo prolongado.


Ressonância Magnética – É o exame padrão ouro para o diagnóstico da Lesão do Ligamento Cruzado Anterior. A ressonância ajuda não apenas na confirmação, mas, principalmente, na detecção de eventuais lesões associadas.


Ligamento Cruzado Anterior em crianças

Em geral, as lesões do Ligamento Cruzado Anterior em crianças acontecem próximo ao fim do crescimento e podem ser tratadas da mesma forma que em adultos. No caso de lesões em crianças pré-púberes, porém, as cirurgias podem interferir no crescimento normal do osso e quanto mais jovem a criança, maior o risco.


Lesões do Ligamento Cruzado Anterior em mulheres O risco de lesões do Ligamento Cruzado Anterior em mulheres é 2 a 8 vezes maior do que entre os homens, considerando o mesmo esporte e nível de prática esportiva. Isso ocorre devido às características físicas da mulher (ciclo hormonal, anatomia óssea, controle neuromuscular) e de fatores externos relacionados à prática esportiva (pior estrutura de treinamento, menor acesso a programas de prevenção, entre outros).

Tratamento O tratamento inicial deve ser feito da mesma forma para todos os pacientes, independentemente se o tratamento posterior será cirúrgico ou não. O objetivo inicial é melhorar o inchaço e a dor, fazer com que o paciente volte a caminhar com grau razoável de conforto e minimizar a perda de musculatura. Mesmo no caso de cirurgia, o tratamento realizado antes do procedimento é de extrema importância. Ao minimizar a perda de musculatura que ocorre após a lesão, a fisioterapia pré-operatória acaba por otimizar as condições para uma melhor recuperação pós-operatória. A decisão pelo tratamento definitivo, cirúrgico ou não, deve ser feita caso a caso, considerando-se a queixa do paciente, idade e pretensões em relação a atividades físicas.


Tratamento na fase aguda

1. Muletas Logo após a lesão, o paciente tende a apresentar dor, inchaço e limitação da mobilidade do joelho, ainda que isso possa variar bastante. Muitas vezes o paciente não será capaz de apoiar o pé no chão, sendo necessária a utilização de muletas.

2. Gelo A aplicação do gelo pode ser feita de 20 a 30 minutos a cada duas ou três horas para melhorar a dor e o inchaço. Este tratamento não deve ser repetido com intervalo menor do que duas horas e não deve ser estendido além de 30 minutos. Nesta fase inicial, não é indicado aplicar calor no local.

3. Medicações anti-inflamatórias Podem ser utilizadas por um curto período de tempo para aliviar os sintomas do paciente.

4. Punção do joelho Alguns pacientes apresentam grande derrame articular devido ao acúmulo de sangue dentro do joelho. Além de ser uma causa importante da piora da dor, o derrame articular restringe a mobilidade do joelho e a capacidade do paciente caminhar. Dependendo do volume deste derrame articular, a punção do joelho realizada pelo ortopedista especialista em joelhos poderá promover uma melhora significativa do quadro.

5. Fisioterapia A fisioterapia na fase aguda ajuda no processo de analgesia (melhora da dor), recuperação da mobilidade articular e reativação da musculatura do quadríceps, que tende a ficar dormente após a lesão. Mesmo em casos com indicação para cirurgia, a fisioterapia ajuda a preparar o paciente para o procedimento, o que influenciará de forma definitiva na recuperação pós-operatória.


Tratamento não cirúrgico da lesão do Ligamento Cruzado Anterior

O tratamento não cirúrgico deve ser considerado em pacientes mais velhos, sem lesões associadas, com pouca queixa de instabilidade e que não pratiquem atividades físicas de maior exigência para o Ligamento Cruzado Anterior. Em geral, o paciente terá de conviver com o ligamento do joelho rompido para o resto da vida, pois pode não haver a cicatrização do local com o tratamento não cirúrgico. Algumas pessoas toleram muito bem a falta do ligamento e, eventualmente, são capazes até mesmo de manter práticas esportivas de alto rendimento.

Nestes casos, porém, deve-se analisar o custo-benefício frente ao risco de novas entorses e de uma instabilidade persistente, que podem levar à piora progressiva no joelho. Por isso, mesmo que o paciente tolere bem a falta do ligamento, o tratamento cirúrgico tende a ser indicado para pessoas jovens e ativas. O tratamento não cirúrgico também não deve ser visto como definitivo pois, caso o paciente volte a ter episódios recorrentes de falseio, a cirurgia deve ser reconsiderada.


O tratamento não-cirúrgico também não deve ser visto como definitivo. Caso, ao longo do tratamento, o paciente volte a ter episódios recorrentes de falseio, a cirurgia deve ser reconsiderada.


Tratamento Cirúrgico da Lesão do Ligamento Cruzado Anterior

O tratamento cirúrgico é o padrão para a maior parte dos pacientes jovens e ativos, já que é a única forma de retomar a estabilidade do joelho. Além da melhora funcional, a cirurgia protege a articulação de novas entorses e ajuda a evitar a ocorrência de outras lesões que possam comprometer o joelho de uma forma mais definitiva. É importante destacar que as lesões dos meniscos e as lesões da cartilagem articular são relativamente comuns em quem insiste com a atividade esportiva apesar da lesão do Ligamento Cruzado Anterior e que a cirurgia para o tratamento destas lesões tem resultado final muito mais imprevisível.


Existe um momento ideal para fazer a cirurgia? A cirurgia não deve ser realizada nem cedo, nem tarde demais. Quando a operação é feita muito precocemente após a lesão, o paciente tende a ter uma recuperação inicial mais difícil e dolorosa. O risco para artrofibrose, que são aderências que se formam dentro do joelho e que limitam a mobilidade da articulação, também será maior (discutiremos abaixo sobre as complicações pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior). Portanto, para realizar a cirurgia, é importante que a fase de dor mais intensa e inchaço no joelho já tenha passado e que o paciente seja capaz de caminhar com razoável conforto.

Por outro lado, adiar excessivamente a cirurgia também tem seus problemas, principalmente pelo risco de novas torções, que podem provocar outras lesões associadas. O desgaste do joelho também é mais comum em pacientes operados muito tempo após a lesão, já que o retorno esportivo após a cirurgia tende a ser mais bem-sucedido quando a cirurgia é realizada precocemente.


Reabilitação pós reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

Os cuidados pós-operatórios são fundamentais para a completa recuperação após uma cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior.


Infelizmente, é relativamente comum vermos no consultório pacientes com um resultado cirúrgico insatisfatório, apesar de uma cirurgia muito bem realizada do ponto de vista técnico, e o principal motivo é a reabilitação pós-operatória inadequada.


Descreveremos aqui os aspectos gerais da reabilitação e os tempos mínimos que recomendamos em cada fase, ainda que isso possa variar bastante em decorrência de como o paciente estava no momento da cirurgia, da qualidade da reabilitação, da dedicação e da resposta individual do paciente ao tratamento. A passagem de uma fase para outra, portanto, deve ser guiada mais por critérios objetivos de avaliação do que pelo tempo cronológico de recuperação.


Vale também considerar que é muito comum a presença de outras lesões concomitantemente ao rompimento do Ligamento Cruzado Anterior, especialmente lesões da cartilagem articular, meniscos ou em outros ligamentos. Isso pode afetar a reabilitação pós-operatória, de forma que o que está descrito aqui não substitui de forma alguma as orientações feitas pelo seu médico.


Pós operatório de Ligamento Cruzado anterior

Primeiro mês

Descreveremos aqui os aspectos gerais do que se deve esperar ao longo do primeiro mês após a cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior. Orientações específicas do seu médico e fisioterapeuta devem ser seguidas, uma vez que esse processo pode ser alterado em caso de eventuais lesões associadas.

Portanto, a progressão deve ser guiada mais por critérios objetivos e subjetivos de avaliação do que pelo tempo cronológico pós-operatório e pode variar consideravelmente de acordo com as condições do paciente antes da cirurgia, a qualidade da reabilitação e a resposta individual ao tratamento.


Os objetivos principais no primeiro mês após a reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior são o controle da dor e do inchaço, a recuperação da mobilidade do joelho, voltar a andar normalmente sem as muletas e minimizar a perda de musculatura.


Curativo

Após a cirurgia, o paciente sai do centro cirúrgico com um enfaixamento em toda a perna, que ajudará a evitar o acúmulo de sangue dentro do joelho e poderá ser retirado após 24 horas da cirurgia.

Por baixo deste enfaixamento, as feridas estarão cobertas com um curativo impermeável que pode ser trocado antes da alta, caso esteja sujo de sangue. Este curativo pode ser molhado no banho, facilitando os cuidados pós-operatórios.

Os pontos serão retirados após aproximadamente duas semanas de cirurgia.


Muletas

Em uma lesão isolada do Ligamento Cruzado Anterior, o paciente geralmente poderá movimentar o joelho e apoiar o pé no chão imediatamente após a cirurgia, de acordo com a sua tolerância.

No início, o joelho estará inchado, dolorido e com a musculatura da perna dormente, de forma que é indicado o uso de muletas. Dia após dia, com a melhora funcional do joelho, o peso passa a ser colocado cada vez mais na perna e menos nas muletas, até que seja possível abandoná-las.

Porém, não é necessário ter pressa: é possível largar as muletas precocemente, mas isso pode sobrecarregar o joelho e atrasar a recuperação.


Certos procedimentos para reparo do menisco ou da cartilagem articular, muitas vezes feitos junto com a reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior, podem exigir alguma restrição no apoio do peso ou na mobilidade do joelho.

Assim, siga sempre as orientações do seu médico e certifique-se de que as informações pertinentes tenham sido passadas para o fisioterapeuta.


Medicamentos

Quatro tipos de medicamentos são habitualmente prescritos após a cirurgia para reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior:

  • Antibióticos: prescritos com a finalidade de prevenir a infecção do sítio operatório.

  • Anticoagulantes: prescritos para evitar a Trombose Venosa Profunda.

  • Analgésicos: têm a finalidade de combater a dor e geralmente são prescritos analgésicos leves (Tylenol e Dipirona, por exemplo). Caso não sejam suficientes, são usados analgésicos mais fortes como medicações de resgate.

  • Anti-inflamatórios: usados para tratar o edema e a resposta inflamatória inicial. Idealmente não devem ser usados por mais do que 3 a 5 dias.

A decisão pelos medicamentos deve ser feita após avaliação médica, considerando-se fatores individuais, e não necessariamente todas essas medicações indicadas acima serão usadas.


Prevenção de trombose

Ainda que o risco de uma trombose sintomática após a cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior seja incomum, ela pode ser grave, de forma que é importante tomar os cuidados necessários, como o uso de meias elásticas e a mobilização precoce, alguns métodos mais recomendados.

A prevenção por meio de medicamentos anticoagulantes deve ser considerada caso a caso, uma vez que ela também apresenta riscos. Pacientes com antecedente pessoal ou familiar de trombose, fumantes, obesos ou pessoas que usam medicações anticoncepcionais hormonais apresentam maior risco e costumam ter indicação para o uso de anticoagulantes.


Gelo

O uso de gelo por 30 minutos a cada duas horas é uma prioridade nos primeiros 3 a 5 dias. O gelo ajuda no controle da dor e do inchaço e isso é fundamental para se evitar uma maior inibição do quadríceps.


Exercícios de reabilitação / fisioterapia

Mobilização do tornozelo

A mobilização do tornozelo é importante principalmente nos primeiros dias após a cirurgia, já que a musculatura da panturrilha funciona como uma bomba que ajuda o sangue a circular. Assim, como o paciente está mais limitado funcionalmente, é importante continuar dando este estímulo a partir de exercícios para o tornozelo.

Dessa forma é possível melhorar a dor, o desconforto local e prevenir a Trombose Venosa Profunda (TVP).


Exercícios para ganho de mobilidade

A perda de