COMO TRATAR E EVITAR ESTIRAMENTO MUSCULAR

As lesões musculares representam entre 10 e 50% das lesões traumáticas em atletas, dependendo do esporte envolvido. São mais comuns em esportes de contato, esportes com muitas mudanças de direções, acelerações rápidas e movimentos bruscos em geral.


No Brasil, o futebol é, sem dúvida, a principal causa dessas lesões, em razão das características do esporte e de sua popularidade.


Como ocorrem as lesões musculares?

As lesões musculares podem ocorrer de duas formas:


Trauma direto: quando há um impacto direto sobre a musculatura (paulistinhas) ou em quedas e acidentes automobilísticos;


Estiramento: quando há uma tração excessiva, além do que a musculatura é capaz de aguentar. Funciona como um elástico que se estica até romper.


De forma predominante, as lesões musculares ocorrem com o movimento excêntrico da musculatura, na qual o músculo é alongado enquanto está se contraindo, em um movimento de desaceleração da articulação.



Quais os fatores de risco para as lesões musculares?

A musculatura se rompe quando ela não mais é capaz de resistir ao movimento da articulação e se alonga além de sua capacidade.


Desta forma, devem ser considerados fatores de risco para lesões musculares:


1- Desequilíbrios e fraquezas musculares

A estabilidade e a movimentação das articulações dependem da ação de diversos grupos musculares que atuam de forma antagônica (com funções opostas). Enquanto uma musculatura realiza a extensão do joelho, por exemplo, outra permite que o joelho se dobre. O equilíbrio entre elas determina a estabilidade ou o movimento da articulação.


Quando existe um desequilíbrio de força entre estes dois grupos musculares, a musculatura mais fraca fica predisposta a lesões. Numa analogia, seria como um cabo de guerra, no qual as pessoas de um lado são muito mais fortes do que as pessoas do outro lado.


2- Encurtamentos musculares

Toda musculatura que é esticada para além de seus limites acaba se rompendo. Quando existe um encurtamento muscular, o músculo trabalha muito próximo desses limites, aumentando o risco de lesões.


3- Fadiga

A maior parte das lesões ocorre nos minutos finais das atividades físicas, devido à fadiga. Quando não forem mais capazes de resistirem à ação de seus antagonistas, o músculo pode ser alongado além de sua capacidade e se romper.


4- Idade

Com o tempo, a musculatura perde parte de sua elasticidade, aumentando o risco de lesões. Atletas jovens apresentam risco relativamente baixo, mas o risco aumenta significativamente entre os atletas mais velhos.


5- Lesões prévias

As lesões musculares cicatrizam pela formação de fibrose, um tecido diferente da musculatura original e que não possui a mesma elasticidade nem contratilidade. Isso torna a musculatura mais predisposta a novas lesões. Até 16% das lesões musculares no futebol são recidivas de lesões prévias.


6- Características do treino

As lesões musculares estão diretamente relacionadas ao gesto esportivo e sofrem muita influência do tipo de treino que o atleta realiza. Em corredores, treinos em descida apresentam risco elevado de lesão, devido à forte contração na musculatura do quadríceps para tentar frear o joelho. No futebol, treinos em campo longo exigem mais movimentos de aceleração e desaceleração com velocidade máxima, aumentando o risco de lesões.


Dor muscular pós treino

A dor muscular tardia pós treino é um evento comum após uma atividade física extenuante, e que dentro de certos limites deve ser considerada normal. A dor habitualmente se inicia entre 6 e 12 horas após a atividade e atinge seu pico 24 a 48 horas após. E alguns casos, pode levar a uma queixa clínica bastante semelhante ao que é observado em uma lesão muscular.


Como prevenir lesões musculares?

A prevenção de lesões musculares envolve a correção dos fatores de risco listados acima, que sugerem as seguintes diretrizes:

  • Realizar treinos físicos com ênfase nos exercícios excêntricos (método de prevenção mais eficaz);

  • Realizar um aquecimento progressivo / ativação neuromuscular antes ou no início do treino;

  • Evitar treinos e jogos muito longos quando não estiver com bom preparo físico;

  • Evitar treinos em condições climáticas adversas e que levarão a uma fadiga mais rapidamente.


Os exercícios de alongamento sempre fizeram parte do período inicial do treinamento na maior parte das equipes. Porém, recentemente, estudos têm colocado em dúvida os benefícios dessa prática. Em resumo, os resultados demonstram, inclusive, perda de desempenho e maior risco de lesões, quando feitos logo antes do treino esportivo específico.


Para usar o alongamento como uma arma preventiva, a melhor forma é realizá-los em um momento à parte, com o objetivo de prevenir a dor, liberar tensões, relaxar os músculos e melhorar a flexibilidade de uma maneira geral.